Reportagem Especial

Mercado audiovisual cresce, mas ainda falta profissionalismo

Por Hélder Loureiro Pegado

03/01/2021 às 23:34:57 - Atualizado há

O mercado do audiovisual no Brasil está aquecido. Nos últimos anos, uma combinação de iniciativas governamentais e aumento do interesse de distribuidoras e canais de televisão pela produção nacional injetou mais dinheiro na área e fez aumentar a quantidade de séries, animações e filmes feitos no país. Tudo isso tem gerado boas oportunidades de negócios, mas as empresas do setor ainda esbarram na falta de profissionalismo.

A área de animação é um bom exemplo disso. O Brasil tem muitas ideias boas e o setor se aprimorou nos últimos cinco anos, mas ainda falta amadurecimento e conhecimento por parte de alguns empresários, afirma Daniela Vieira, diretora de conteúdo do Cartoon Network. "Falta visão de negócios. Somente colocar (o produto audiovisual) no ar não é retorno de investimento", analisa.

O boom do setor audiovisual se deve, em grande parte, a três fatores: a criação, em 2006, do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), por meio do qual o governo federal passou a investir diretamente no fomento da cadeia produtiva do setor; a entrada em vigor, em 2011, da Lei 12.485 – popularmente conhecida como Lei da TV Paga –, que obrigou os canais de televisão por assinatura a colocar, gradativamente até 2014, pelo menos três horas e 30 minutos de programação nacional; e o interesse crescente de distribuidoras e canais de TV por assinatura em investir em produções nacionais para aumentar sua identificação com o público brasileiro.


Espaço garantido

De acordo com a assessoria de comunicação da Agência Nacional do Cinema (Ancine), um dos principais objetivos da Lei da TV Paga é aumentar a produção e a circulação de conteúdo audiovisual brasileiro, diversificado e de qualidade, gerando emprego, renda, royalties, mais profissionalismo e o fortalecimento da cultura nacional. Pouco mais de dois anos após a promulgação da lei, os números mostram que as metas foram alcançadas.

Segundo a Ancine, a arrecadação de recursos para investimento na área cresceu 17 vezes entre 2012 e 2013 e o número de produções nacionais pulou de 1.926 em 2011 para 3.298 em 2013, de acordo com o registro de Certificados de Produto Brasileiro (CPB) emitidos pela agência. Tudo isso faz com que o Brasil ocupe hoje o 12º lugar na lista das maiores economias do setor audiovisual. Mas o governo almeja o quinto lugar e está dando incentivos à área.

"O espectador já percebe a presença de novos conteúdos na programação dos canais. Hoje, os assinantes ligam a TV no horário nobre e encontram diversas alternativas de conteúdo nacional, e houve um movimento de estruturação de novos canais brasileiros nos pacotes ofertados", informa a diretoria executiva da Ancine.


"Hoje nossas produções são veiculadas no Cartoon Network, Boomerang, Tooncast América Latina, TNT, TV Rá Tim Bum e TV Cultura. Sem a lei, provavelmente estaríamos em apenas um, no máximo dois canais", explica Mariana Caltabiano, roteirista e proprietária de um estúdio que leva seu nome.

Investimento público

Outra ferramenta que tem ajudado as pequenas e médias produtoras é o Fundo Setorial do Audiovisual, destinado ao desenvolvimento articulado de toda a cadeia produtiva da atividade audiovisual no Brasil. Ele é gerido pela Ancine e operado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). No final de dezembro, foi anunciado um investimento de R$ 400 milhões no mercado.

O Fundo Setorial tem viabilizado projetos de produtoras como a 44 Toons, especializada em produções para o público infanto-juvenil. "Estamos trabalhando com o Fundo Setorial desde 2010.

Não é todo mundo, no entanto, que recorre ao Fundo Setorial. Mariana Caltabiano, por exemplo, prefere trabalhar com recursos da iniciativa privada: "Trabalho com a 1A (1º artigo) da Lei do Audiovisual" – que permite captar recursos incentivados para a produção de obras audiovisuais.

Fonte: Com redação
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