Política "Toma Lá, Dá Cá".

Fragilizado, Bolsonaro prepara reforma ministerial com líder do centrão na Casa Civil

A alian√ßa de Bolsonaro com o centr√£o, buscada pelo presidente no ano passado diante de uma s√©rie de pedidos de impeachment que j√° se acumulavam na C√Ęmara, enterrou de vez o discurso bolsonarista, explorado à exaust√£o durante a campanha de 2018, de que o presidente n√£o se renderia ao que chamava de a velha pol√≠tica do "toma l√°, d√° c√°".

Por Hélder Loureiro Pegado

21/07/2021 às 18:35:24 - Atualizado h√°

O martelo sobre as mudan√ßas foi batido nesta ter√ßa-feira (20). O desenho que estava definido até a manh√£ desta quarta-feira envolve trocas em tr√™s pastas: o senador Ciro Nogueira (PI) vai para a Casa Civil no lugar do general Luiz Eduardo Ramos, que passa à Secretaria-Geral, ocupada por Onyx Lorenzoni (DEM).

J√° Onyx, pelos planos atuais, ocupar√° o Ministério do Trabalho , que ser√° recriado com a divis√£o do Ministério da Economia, de Paulo Guedes. A expectativa é a de que as mudan√ßas se concretizem até sexta (23), com a publica√ß√£o da medida provisória que recriar√° a pasta do Trabalho.

H√° ainda uma indefini√ß√£o no governo a respeito do nome que ter√° o novo ministério e se ele acumular√° ou n√£o as fun√ß√Ķes da Secretaria da Previd√™ncia, que hoje faz parte da Economia.

A alian√ßa de Bolsonaro com o centr√£o, buscada pelo presidente no ano passado diante de uma série de pedidos de impeachment que j√° se acumulavam na C√Ęmara, enterrou de vez o discurso bolsonarista, explorado à exaust√£o durante a campanha de 2018, de que o presidente n√£o se renderia ao que chamava de a velha pol√≠tica do "toma l√°, d√° c√°".

Para atender o centr√£o, o governo faz promessas de libera√ß√£o de bilh√Ķes em emendas parlamentares e agora prepara até a recria√ß√£o de ministérios, contrariando outro discurso da campanha, o do enxugamento da m√°quina p√ļblica.

Hoje o governo Bolsonaro tem 22 ministérios, 7 a mais do que os 15 prometidos na campanha eleitoral -sob a gest√£o de Michel Temer (MDB), seu antecessor, eram 29 ministérios. A administra√ß√£o atual chegou a ter 23 ministérios, mas o Banco Central perdeu este status com a aprova√ß√£o de sua autonomia.

Um dos objetivos da troca é organizar a base do governo e dar mais visibilidade a a√ß√Ķes de Bolsonaro que ser√£o tomadas daqui em diante, como a reformula√ß√£o do Bolsa Fam√≠lia, consideradas pe√ßa-chave para a campanha à reelei√ß√£o do mandat√°rio em 2022.

Além disso, o presidente pretende se aproximar ainda mais do centr√£o. O senador Ciro Nogueira é presidente nacional do PP e um dos principais l√≠deres do bloco de partidos que sustenta a base de apoio a Bolsonaro no Congresso.

"Estamos trabalhando, inclusive, uma pequena mudan√ßa ministerial, que deve ocorrer na segunda-feira, para ser mais preciso, para a gente continuar aqui administrando o Brasil", disse Bolsonaro em entrevista à r√°dio Jovem Pan de Itapetininga, também transmitida por suas redes sociais.

A poss√≠vel troca na Casa Civil também contempla a insatisfa√ß√£o no Congresso com o atual ministro, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos. Como o jornal Folha de S.Paulo mostrou no m√™s passado, Bolsonaro estava sendo pressionado a trocar o general da Casa Civil e estudava fazer essa altera√ß√£o. ?

Amigo de Bolsonaro que ganhou for√ßa ao coordenar a √ļltima dan√ßa das cadeiras no governo, em mar√ßo, Ramos vinha sendo alvo de queixas de parlamentares, inclusive do presidente da C√Ęmara, Arthur Lira (PP-AL), correligion√°rio e muito próximo a Ciro Nogueira. Auxiliares de Bolsonaro relataram que Ramos demonstrou insatisfa√ß√£o com a mudan√ßa.

Bolsonaro sabe que precisa melhorar sua articula√ß√£o politica, especialmente no Senado, onde a CPI da Covid avan√ßa sobre o governo e onde duas significativas indica√ß√Ķes do Pal√°cio do Planalto -a do atual advogado-geral da Uni√£o, André Mendon√ßa, para uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal) e a da recondu√ß√£o de Augusto Aras ao comando da PGR (Procuradoria-Geral da Rep√ļblica).

No Planalto, Ramos n√£o era próximo da ministra da Secretaria de Governo, Fl√°via Arruda, que, por sua vez, precisava de alguém com maior tr√Ęnsito entre os senadores para ajud√°-la na articula√ß√£o pol√≠tica do Executivo.

Além disso, havia no Planalto o temor de que Ciro Nogueira se distanciasse do governo.

Ele j√° vinha aparecendo cada vez menos em defesa de Bolsonaro na CPI da Covid e, na semana passada, n√£o escondia sua insatisfa√ß√£o com a libera√ß√£o de recursos para o governo do Piau√≠. O governador Wellington Dias (PT) é seu advers√°rio pol√≠tico.

O senador aceitou o convite para assumir a Casa Civil ainda nesta ter√ßa. Nogueira seria candidato ao governo do Piau√≠, mas com a decis√£o de virar ministro, j√° admite a pessoas próximas que deve abrir m√£o de entrar na disputa.

O presidente e seu governo v√™m assistindo a uma escalada de impopularidade. O ex-presidente Luiz In√°cio Lula da Silva (PT), hoje seu principal advers√°rio, ampliou vantagem nas inten√ß√Ķes de voto para 2022 e cravou 58% a 31% no 2¬ļ turno, segundo pesquisa mais recente do Datafolha.

Diante deste cen√°rio, a press√£o sobre Bolsonaro cresceu no Congresso. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o vice-presidente da C√Ęmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), disse que as amea√ßas de Bolsonaro sobre a n√£o realiza√ß√£o das elei√ß√Ķes de 2022 s√£o um "claro crime de responsabilidade".

Ele afirmou que estuda a possibilidade de acatar um pedido de impeachment no exerc√≠cio provisório da presid√™ncia. Recentemente, ele pediu para ter acesso aos pedidos protocolados na C√Ęmara.

Fonte: Fohapress
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