Política Meio Ambiente

Mourão diz ser o culpado por falta de coordenação no combate ao desmatamento

Na √ļltima semana, dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz√īnia Legal por Sat√©lite), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostraram novo recorde de desmate para o m√™s de outubro.

Por Hélder Loureiro Pegado

23/11/2021 às 17:19:04 - Atualizado h√°

O vice-presidente e coordenador do CNAL (Conselho Nacional da Amazônia Legal), Hamilton Mour√£o, disse ser ele o culpado pelo fracasso do combate ao desmatamento no Brasil.

Na √ļltima semana, dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostraram novo recorde de desmate para o m√™s de outubro.

"Se voc√™ quer um culpado, sou eu. N√£o vou dizer que foi ministro A, ministro B ou ministro C. Eu n√£o consegui fazer a coordena√ß√£o e a integra√ß√£o da forma que ela funcionasse", disse o vice-presidente a jornalistas, após a √ļltima reuni√£o do CNAL de 2021, no Itamaraty, nesta ter√ßa-feira (23).

"Ela só foi funcionar na √ļltima fase da opera√ß√£o, quando a Suma√ļma aconteceu e a√≠ a turma acordou para a necessidade de conversar efetivamente uns com os outros, despirem seus preconceitos. Porque cada um tem seu preconceito, em rela√ß√£o ao outro, à forma do outro de trabalhar, e a partir da√≠ houve sinergia dos trabalhos", continuou.

Mour√£o chefia o Conselho da Amazônia, estrutura respons√°vel por coordenar as a√ß√Ķes de preserva√ß√£o no bioma, mas que passa por um processo de esvaziamento.

Não estiveram presentes no encontro os ministros Joaquim Leite (Meio Ambiente) e Anderson Torres (Justiça), que hoje coordenam a principais medidas de combate ao desmatamento, desde que a atuação dos militares na região não foi prorrogada em outubro.

Mour√£o disse que Leite é "a cara do combate ao desmatamento", mas minimizou as aus√™ncias, alegando que estariam presentes os respons√°veis técnicos por coordenar as a√ß√Ķes nos ministérios.

A militariza√ß√£o do combate a il√≠citos ambientais durou 16 dos 34 meses do governo Bolsonaro, custou R$ 550 milh√Ķes aos cofres p√ļblicos e n√£o derrubou os √≠ndices de desmatamento da Amazônia, conforme o jornal Folha de S.Paulo mostrou em reportagem publicada no dia 24 de outubro.

Ao todo, foram tr√™s GLOs, cujos decretos presidenciais deram amparo legal a tr√™s opera√ß√Ķes de interven√ß√£o militar: Verde Brasil, Verde Brasil 2 e Sama√ļma. O vice-presidente chegou a anunciar a prorroga√ß√£o desta √ļltima, o que n√£o ocorreu.

As declara√ß√Ķes nesta ter√ßa-feira de Mour√£o ocorrem depois de tr√™s a√ß√Ķes das For√ßas Armadas na regi√£o e de o crime ambiental continuar em √≠ndices alarmantes, a despeito disso. Dados do Prodes mostram que houve um recorde de desmatamento no m√™s de outubro, com aumento de 22% em rela√ß√£o ao ano anterior.


Conforme também a Folha de S.Paulo publicou, o Inpe concluiu os dados em 27 de outubro e inseriu o relatório no sistema eletrônico de informa√ß√Ķes do governo federal no mesmo dia, mas a disponibiliza√ß√£o só foi feita nesta quinta, per√≠odo posterior à COP26, confer√™ncia da ONU sobre mudan√ßas clim√°ticas ocorreu em Glasgow, na Escócia, entre os dias 31 de outubro e 13 de novembro.

O vice-presidente disse ainda que dos 13.235 km2 entre agosto de 2020 e julho de 2021 (√≠ndice mais elevado desde 2006), cerca de 60% corresponde a desmatamento ilegal. A informa√ß√£o n√£o foi divulgada por ministérios ou órg√£os de fiscaliza√ß√£o.

"Em torno de 8.100 km2 definitivamente considerados ilegais e os outros, como foram realizados em áreas privadas, onde havia autorização para supressão para a vegetação são considerados desmatamento legal", disse o vice-presidente

Ele reconheceu, contudo, que a √°rea de desmatamento ilegal é "tro√ßo pra chuchu".

Fonte: Com Folha de S√£o Paulo
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